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| Pesquisa de clima: nem sempre a empresa está preparada para o resultado. Imagem: Pixabay |
Joaquina teve uma sorte na vida: entrar em uma
grande empresa na mesma época em que aprendia na faculdade sobre ferramentas de
RH. Ali viu a aplicação na prática. Tudo era novidade para ela. Caiu no conto
da carochinha.
Depois de 3 meses, veio a troca da liderança imediata. A incrível mulher que a contratara estava indo para um novo desafio (promoção mais que merecida). Para o seu time escalaram alguém sem preparo algum, vindo de um cargo decorativo. O assédio moral foi questão de semanas. Ameaças de demissão, metas absurdas, e-mails pesados, palavras pesadas.
Os momentos de tensão extrema duraram meses, até que chegou a época da pesquisa de clima. Era a primeira vez de Joaquina. Sempre esteve em empresas pequenas, que não faziam nenhuma pesquisa. A galera disse que não queria falar a verdade na pesquisa. Joaquina disse: é a chance de cada um avaliar a situação com sinceridade, afinal, é uma pesquisa confidencial e visa melhorias (Tinha aprendido assim). Foi aí que caiu no conto da carochinha.
Inicialmente parecia ter dado algum resultado. Boa parte do assédio parou. Mais tarde percebeu que, na verdade, o que parou foi o tipo de situação que poderia ser usado como prova em um processo, por exemplo. As ameaças veladas ainda estavam lá e, vez ou outra, o tom pesado reaparecia.
Fim da história? Não. O time foi chamado para uma reunião de devolutiva da pesquisa. Sabiam exatamente o que aquelas 10 pessoas ali presentes tinham colocado nas respostas. Sem a presença de um representante do RH, o "pau comeu". A equipe foi chamada de injusta pelo gerente de área. Para ele (que era amigo da nova chefe) o resultado da pesquisa tinha sido um julgamento e a equipe nem tinha dado tempo para a líder nova se adaptar, entre outras coisas. Foi feia a coisa.
A empresa tinha uma ouvidoria interna. Pela regra, este tipo de reunião deveria contar com a presença de um representante do RH. Joaquina teve a brilhante ideia de enviar um e-mail para a ouvidoria contando sobre a tal reunião, quando ficara de queixo caído com a "vara de marmelo" em ação.
Veio mais uma reunião, agora com o diretor geral, a quem Joaquina contara que tinha sido a pessoa a entrar em contato com a ouvidoria, para evitar sanções a quem não tinha nada a ver com a história. Ele pareceu compreensivo e o RH estava presente desta vez. Isso levou a uma melhora mínima. Passou a ter uma “guerra fria”.
Chegou um tempo - cerca de 1 ano após a nova chefe assumir o setor - que o time estava sobrecarregado e precisando de ajuda de outros colaboradores, que pouco sabiam daquele trabalho. Neste mês, que a presença da supervisora era tão importante, ela que amava um home office e ficar em outros andares, passou 3 semanas sem dar as caras.
Depois de 3 meses, veio a troca da liderança imediata. A incrível mulher que a contratara estava indo para um novo desafio (promoção mais que merecida). Para o seu time escalaram alguém sem preparo algum, vindo de um cargo decorativo. O assédio moral foi questão de semanas. Ameaças de demissão, metas absurdas, e-mails pesados, palavras pesadas.
Os momentos de tensão extrema duraram meses, até que chegou a época da pesquisa de clima. Era a primeira vez de Joaquina. Sempre esteve em empresas pequenas, que não faziam nenhuma pesquisa. A galera disse que não queria falar a verdade na pesquisa. Joaquina disse: é a chance de cada um avaliar a situação com sinceridade, afinal, é uma pesquisa confidencial e visa melhorias (Tinha aprendido assim). Foi aí que caiu no conto da carochinha.
Inicialmente parecia ter dado algum resultado. Boa parte do assédio parou. Mais tarde percebeu que, na verdade, o que parou foi o tipo de situação que poderia ser usado como prova em um processo, por exemplo. As ameaças veladas ainda estavam lá e, vez ou outra, o tom pesado reaparecia.
Fim da história? Não. O time foi chamado para uma reunião de devolutiva da pesquisa. Sabiam exatamente o que aquelas 10 pessoas ali presentes tinham colocado nas respostas. Sem a presença de um representante do RH, o "pau comeu". A equipe foi chamada de injusta pelo gerente de área. Para ele (que era amigo da nova chefe) o resultado da pesquisa tinha sido um julgamento e a equipe nem tinha dado tempo para a líder nova se adaptar, entre outras coisas. Foi feia a coisa.
A empresa tinha uma ouvidoria interna. Pela regra, este tipo de reunião deveria contar com a presença de um representante do RH. Joaquina teve a brilhante ideia de enviar um e-mail para a ouvidoria contando sobre a tal reunião, quando ficara de queixo caído com a "vara de marmelo" em ação.
Veio mais uma reunião, agora com o diretor geral, a quem Joaquina contara que tinha sido a pessoa a entrar em contato com a ouvidoria, para evitar sanções a quem não tinha nada a ver com a história. Ele pareceu compreensivo e o RH estava presente desta vez. Isso levou a uma melhora mínima. Passou a ter uma “guerra fria”.
Chegou um tempo - cerca de 1 ano após a nova chefe assumir o setor - que o time estava sobrecarregado e precisando de ajuda de outros colaboradores, que pouco sabiam daquele trabalho. Neste mês, que a presença da supervisora era tão importante, ela que amava um home office e ficar em outros andares, passou 3 semanas sem dar as caras.
A equipe tinha que dar conta
sozinha do trabalho, de receber as visitas constantes vindas de filiais e
ajudar aqueles que vinham de outros setores. A insatisfação com aquele sumiço
era geral na equipe. O que Joaquina fez? Falou com aquele representante do RH,
que esteve na reunião e tinha dito que todos deveriam sempre procurá-lo antes, para
tentar ver alguma saída, quando tivesse algum problema, ao invés de esperar a
pesquisa de clima apenas. Joaquina contou para o representante do RH sobre a
insatisfação da equipe em relação as atitudes da supervisora, que, quando a
demanda de trabalho estava mais alta, preferia ir trabalhar longe do time. Joaquina
queria que a liderança maior observasse o comportamento e conversasse com a
líder de seu time, para que ela estivesse mais presente. Mas, veio uma nova
reunião (tem lugar que ama reuniões inúteis, é incrível), onde o desabafo da
galera foi geral, porque a maioria estava insatisfeita. No mesmo dia Joaquina
foi bloqueada no Facebook da chefe.
Duas semanas depois, sua líder saiu de férias. Joaquina foi demitida junto com um colega que também tinha falado demais, assim que a chefe voltou das férias.
Duas semanas depois, sua líder saiu de férias. Joaquina foi demitida junto com um colega que também tinha falado demais, assim que a chefe voltou das férias.
Cerca de 6 meses depois, a equipe teve uma nova
reunião de devolutiva, da pesquisa feita após a demissão de Joaquina e de seu colega. Como nenhum dos integrantes
responderam à pesquisa, a diretoria disse que eles tinham recebido influência
de Joaquina para se omitirem. Mal sabiam eles que, se dependesse de Joaquina,
todos sempre responderiam a verdade na pesquisa de clima, mesmo sofrendo as
consequências.
**Ficção, mas que é realidade em muitas empresas que abrem espaço para ouvir os funcionários, mas não querem ouvir a verdade.
***Qualquer semelhança com a realidade é apenas coincidência.


